Hotelaria hospitalar: conceito vem transformando ambientes de saúde

Hotelaria hospitalar: conceito vem transformando ambientes de saúde
29 de julho de 2020 Viviane Massi
hotelaria hospitalar

Há cerca de uma década, o segmento hospitalar viu nascer um novo termo: hotelaria hospitalar. Até então, o termo “hotelaria” era apenas associado a hotéis, pousadas ou outros meios de hospedagem, nunca ao ambiente de saúde. Mas isso mudou nos últimos 15 anos e agora hospitais e demais instituições de saúde se veem diante do desafio de implantar um conjunto de serviços cujo objetivo é satisfazer todas as necessidades dos pacientes e familiares.

Apesar de ser um assunto relativamente novo para o setor hospitalar, todos estão sendo levados a considerar que é uma tendência que veio para ficar. A importância de se ter um setor que cuide da hotelaria hospitalar ficou ainda mais em evidência durante a pandemia de Covid-19. Tanto que hospitais que haviam se organizado de acordo com essa tendência estão conseguindo passar com menos dificuldades pela crise de saúde que tomou conta do País a partir de março.

Mas o que é a hotelaria hospitalar na prática

“A hotelaria hospitalar é a reunião de todos os serviços de apoio vinculados aos serviços médicos e de saúde complementar dentro do hospital. Ela oferece à administração as respostas sobre o andamento do dia a dia do hospital, possibilitando-a criar mecanismos e ferramentas para uma melhor execução da estada do paciente e seus familiares durante a internação”, explica o consultor hospitalar José Luiz de Los Santos.

O princípio básico da hotelaria hospitalar é reduzir o mal-estar do paciente interno em um hospital. Por isso, o conceito está fortemente associado à humanização do atendimento, levando em consideração integridade física, privacidade, respeito aos valores pessoais dos pacientes e qualidade do atendimento.

Entre os serviços que a hotelaria hospitalar pode oferecer, vale a pena destacar acompanhamento nutricional, lavanderia, lanchonetes e restaurantes, áreas de lazer, gerenciamento de resíduos, central telefônica, paisagismo, entre outros. Tudo isso não é sinônimo de luxo, mas de qualidade e conforto para o paciente.

Vantagens para instituições de saúde e pacientes

A hotelaria hospitalar, quando bem aplicada, traz diferenciais em relação aos ambientes hospitalares frios e sem acolhimento pessoal. Há hospitais em que a preocupação parece estar centrada apenas nos procedimentos médicos, sem se importarem com outros aspectos da vida do paciente.

Quando uma instituição de saúde começa a aplicar os conceitos da hotelaria hospitalar, colocando o paciente no centro do atendimento humanizado, sua reputação torna-se mais positiva, e os resultados tendem a ser melhores, inclusive os financeiros.

Os investimentos em hotelaria hospitalar impactam direta e positivamente a qualidade do atendimento, gerando fidelização nos pacientes, que sempre voltam para ser atendidos na mesma instituição.

“Para o paciente, já se sabe que o atendimento humanizado faz toda a diferença na recuperação da saúde. Além disso, pacientes e familiares sentem-se mais seguros, pois hospitais que aplicam a hotelaria hospitalar se tornam referência em segurança contra infecções hospitalares”, acrescenta de Los Santos.

Recepção e acomodação na hotelaria hospitalar

A recepção e a acomodação são os dois principais ambientes de contato com os pacientes e onde eles passam mais tempo. Ambas devem fazer o paciente se sentir acolhido, confortável e seguro, sendo adaptadas pensando no bem-estar da pessoa internada.

Os projetos relacionados a ambientes de saúde são bastante complexos, tanto do ponto de vista normativo quanto de diversos condicionantes que envolvem o contexto projetual de tais ambientes. “Além de satisfazer os aspectos funcionais que contribuem diretamente para a lucratividade e a diminuição dos custos operacionais dos hospitais, é necessário atender às demandas tecnológicas, às variáveis regionais e epidemiológicas, à flexibilidade espacial e ao conceito de humanização, que, a princípio, não parece combinar com nenhuma dessas outras premissas”, explica Erica Lemos, arquiteta do Grupo Buzatto’s.

Segundo Erica, na hotelaria hospitalar, os projetos devem proporcionar uma vivência mais humana e menos sofrida para profissionais de saúde e pacientes. “Em nossos anos percorrendo, interferindo e vivenciando tais espaços, conseguimos desenvolver um trabalho de observação muito importante, que nos permite aglutinar todos os requisitos necessários para desfazer o conceito frio e impessoal dos ambientes de saúde. Conseguimos criar memórias mais acolhedoras e ambientes mais propícios à recuperação, onde o corpo e a alma encontram aconchego”, acrescenta a especialista da Buzatto’s.

Parece utopia, mas é exatamente isso que acontece quando se humaniza o ambiente hospitalar. “O profissional sente-se motivado pelo ambiente acolhedor e deixa aflorar seu lado humano como se estivesse cuidando dos seus entes queridos. O paciente, por sua vez, sendo tão bem acolhido, consegue acelerar sua recuperação, desonerando o sistema das taxas de recuperação mais elevadas”, conclui Erica.

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